• +Secretaria 19 3521-5250

Educação patrimonial a partir da Catedral Metropolitana de Nossa Senhora da Conceição

22 Novembro 2019 Autor:   Arthur Rocha Martins Rodrigues Teixeira

Arthur Rocha Martins Rodrigues Teixeira

  1. Introdução à educação patrimonial.

A educação patrimonial parte do princípio da aprendizagem por meios formais e não formais, centrando seu objeto de estudos nas produções culturais e artísticas específicas de uma localidade. O trabalho da educação patrimonial almeja direcionar um projeto de ensino no qual se preze pelo conhecimento, apropriação e valorização de sua própria herança a partir de um sentimento de empatia, capacitando os indivíduos para melhor usufruto dos bens patrimoniais, despertando a formação de uma consciência cidadã que garanta a valorização e preservação patrimonial. A educação patrimonial também está em diálogo direto com um sentimento comunitário, uma vez que a identidade será compartilhada por uma comunidade em específico, fortalecendo a comunicação em prol da preservação e usufruto do patrimônio.

Esse roteiro pedagógico está voltado ao público do 4° ano do ensino fundamental, segundo as Diretrizes Curriculares da Educação Básica para Ensino Fundamental de Campinas que determina como um dos objetivos desse ano escolar: “Identificar e analisar elementos culturais, do patrimônio sociocultural do município, nos diversos tempos, reconhecendo a importância dos espaços públicos, construídos no decorrer da História”. Dessa forma centraremos o estudo no uso de fontes iconográficas e textuais, percorrendo a necessidade dos usos do passado e a Catedral como objeto de estudo histórico, finalizando com sugestões de atividades.

 

  1. Usos do passado

Iniciaremos esse percurso com a leitura de um recorte de jornal do Correio Popular de Campinas de 1977. O interessante de iniciar com esse recorte em específico são as questões que ele levanta, permitindo explorar com os estudantes aspectos que estão diretamente ligados ao seu próprio cotidiano. Logo após a leitura do excerto, deve-se questionar os alunos se eles possuem alguma relação com a Catedral, alguma memória ou experiência semelhante às relatadas no jornal, seja religiosa ou não.

Uma das premissas da educação patrimonial está nos usos dos conceitos e habilidades adquiridos pelo processo educacional. Pautamos aqui como necessária a compreensão da Catedral em diferentes momentos históricos, visando tanto as modificações sofridas pelo prédio quanto pelos arredores. Uma vez instigado o interesse pelo monumento a partir de um elo pessoal e/ou comunitário, o processo de educação patrimonial culmina com o despertar do sentimento de curiosidade e identidade, levando-os a conhecer mais sobre si mesmo dentro do contexto de interação com o patrimônio.

 

 

A CATEDRAL. Correio Popular. Campinas, SP. 6 nov 1977. Conjunto Jolumá Brito – Centro de Memória-Unicamp.

 

  1. A Catedral como objeto de estudo histórico

Estabelecidos os parâmetros da educação patrimonial e a fase inicial na qual se consolida uma identidade com o objeto de estudo, partimos para o conteúdo expositivo conjunto de uma discussão com a participação dos estudantes. Essa seção aborda tanto o histórico da Catedral como tópico necessário para a compreensão do objeto em si pelos estudantes, como também para a compreensão das complexas transformações do edifício e seus arredores. Para tanto, utilizaremos um conjunto de fotografias capturadas ao longo do século XX e disponíveis no acervo do Centro de Memória - Unicamp (CMU). O uso das fotografias implica em observar os processos de continuidade, transformação e reutilização do patrimônio, ressaltando a importância de como o passado deixa evidências no presente.

Para a trajetória histórica da Catedral julgamos importante os seguintes aspectos: a obra foi iniciada em 1807 e demorou mais de 60 anos para ser construída; contou com a participação de escravos e o dispendioso empreendimento resultou em diversas mortes durante a construção; a inauguração do edifício ocorreu apenas em 1883. O interior da catedral é decorado em estilo barroco, com profusos trabalhos de talha realizados pelos artistas Vitoriano dos Anjos Figueiroa (1765-1871) e Bernardino de Sena Reis e Almeida. A fachada da Catedral pertence ao estilo neoclássico, projetada principalmente pelo arquiteto Francisco de Paula Ramos de Azevedo (1851-1928).

A partir das fotografias sugerimos uma conversa com os estudantes, incitando-os a interagir com as imagens. Em primeiro lugar é importante delimitar a temporalidade para uma posterior descrição do cenário representado. Neste aspecto, o educador pode pedir aos alunos que se dividam em grupos, cada um responsável por uma fotografia específica, e descrevam o que está representado para os outros colegas de classe.

O objetivo final da atividade é compreender como ocorrem rupturas e continuidades dentro da narrativa histórica a partir das mudanças no tecido urbano que rodeia a Catedral. Portanto, fica no encargo do professor direcionar a discussão para compreender os seguintes aspectos: os usos do templo no passado e no presente; as modificações na fachada, no largo em frente à Catedral, nos entornos (prédios, ruas, avenidas etc.); as continuidades nesses mesmos espaços; a preservação patrimonial da Catedral, entre outros aspectos.

A partir desses tópicos, a ideia central é observar as continuidades da função, centrada no culto, e as mudanças em relação à imponência do prédio e a perda de força na paisagem de Campinas, que passa a ser tomada por outros edifícios que ofuscam a Catedral. Entretanto, vale destacar que as mudanças ao longo do tempo ressignificaram o papel do templo e o seu espaço tanto como patrimônio como também dentro do contexto urbano e social.

 

 

APS HC 8 .00618 - Rua Conceição. Campinas, SP. Década de 1920. Conjunto Aristides Pedro da Silva - Centro de Memória-Unicamp

 

 

GSJ PI 1 .00280 - Vista Parcial. Campinas, SP. 1924. Conjunto Geraldo Sesso Júnior - Centro de Memória-Unicamp

 

 

ANPV 00016 - Flash Foto W. Padovani. Vista Aérea. Campinas, SP. ca. 1964. Conjunto Arthur Nazareno Pereira Villagelin - Centro de Memória-Unicamp

 

 

GSJ PI 1 .00432 - Geraldo Sesso Jr. Vista parcial da cidade de Campinas. Campinas, SP. 1966. Conjunto Geraldo Sesso Júnior - Centro de Memória-Unicamp

 

  1. Atividade prática: visita à Catedral

Como sugestão de atividade para encerrar esse conteúdo, é interessante levar os alunos e alunas até o centro de Campinas para conhecer a Catedral, tanto externa quanto internamente, e os arredores com os quais tiveram contato por meio das fotografias. Essa visita sela a relação dos estudantes com o patrimônio estudado.

Por mais que o público alvo seja de estudantes das escolas de ensino fundamental de Campinas, pode ser provável que alguns não tenham visitado a Catedral. Por outro lado, para aqueles que já a conhecem é uma oportunidade de visitá-la com novos olhares a partir dos estudos desenvolvidos em sala.

Ao final da visita sugerimos realizar uma atividade baseada no seguinte roteiro:

- Observação do patrimônio: registro geral informal durante a visita;

- Registro: desenho da Catedral ou texto com os principais pontos destacados;

- Exploração: contrastar a análise das fotografias com o que foi observado na visita;

- Apropriação: quais elementos mais chamou sua atenção? O que você mais gostou na visita?

 

Referências

HORTA, M. L., GRUNBERG, E., MONTEIRO, A. Q. “Guia básico da educação patrimonial”. Museu Imperial/DEPROM- IPHAN- MINC. GODOY, H.L. “Diretrizes Curriculares da Educação Básica para o Ensino Fundamental Anos Iniciais: Um Processo Contínuo de Reflexão e Ação” Prefeitura Municipal de Campinas, 2012.



Este texto foi produzido como fruto das atividades de Estágio Supervisionado do Departamento de História do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas – Unicamp, ministrada pelo Prof. Dr. Aldair Carlos Rodrigues, e realizadas sob supervisão dos técnicos do Centro de Memória-Unicamp.

  • Rua Sérgio Buarque de Holanda, 800 Cidade Universitária - Barão Geraldo Campinas - SP | CEP: 13083-859
  • This email address is being protected from spambots. You need JavaScript enabled to view it.
  • (19) 3521-5250 - Secretaria
  • (19) 3521-5256 - Arquivos Históricos
  • HORÁRIO DE ATENDIMENTO
  • Segunda a sexta-feira das 9h às 17h
  • www.cmu.unicamp.br

Envie sua mensagem

  Mail is not sent.   Your email has been sent.
Top
We use cookies to improve our website. By continuing to use this website, you are giving consent to cookies being used. Cookie policy. I accept cookies from this site. Agree